domingo, 5 de agosto de 2007

Marxismo-Leninismo

Leninismo é o nome dado à doutrina defendida pelo russo Vladimir Ilitch Ulianov, mais conhecido como Lenin, que procurou adaptar a teoria marxista do século XIX à nova realidade do século XX. Karl Marx defendia a revolução do operariado contra a burguesia, a tomada do poder e a construção de uma sociedade socialista. Mas Marx dizia que isto só seria possível em um país onde o capitalismo já estivesse em um estágio avançado e onde o operariado, trabalhadores da indústria, tivesse uma mentalidade revolucionária. Lenin adapta estas teorias para a realidade russa, um país atrasado, agrícola, com vestígios de um sistema feudal e sem nenhuma consciência revolucionária. Lenin diz que a revolução pode ser possível em países atrasados e agrícolas, através da união dos trabalhadores da cidade e do campo e através da teoria da vanguarda do partido comunista. Essa teoria consiste em o partido tomar frente do processo revolucionário e guiar o povo para a revolução. Nas condições da Rússia atrasada, no entanto, Lenin defendia a instalação apenas de um regime de tipo burguês, reformista e radical - aquilo que ele chamava de "ditadura democrática"

Marxismo é o conjunto de idéias filosóficas, económicas, políticas e sociais elaboradas primariamente por Karl Marx e Friedrich Engels e desenvolvidas mais tarde por outros seguidores. Interpreta a vida social conforme a dinâmica da luta de classes e prevê a transformação das sociedades de acordo com as leis do desenvolvimento histórico de seu sistema produtivo.

Os bolcheviques - liderados por Lenin, apresentavam outra proposta:

o partido deveria ser formado por revolucionários profissionais, só sendo membro quem militasse ativamente nas suas fileiras;

isso se devia à permanente infiltração de "agentes provocadores da polícia secreta do czar e pelas condições gerais da repressão na Rússia, que não permitiam a existência de um partido "aberto";

devido ao atraso das massas operárias e camponesas o partido se tornaria a "vanguarda do proletariado" composto por elementos mais conscientizados e endurecidos na luta política, disciplinados e obedientes ao Comitê Central. De certa forma, bolcheviques e mencheviques terminaram por concretizar as "duas vias" para o Socialismo que estavam latentes no pensamento de Marx e Engels. Quando ocorreu a revolução de fevereiro de 1917, derrubando o czarismo, os mencheviques exerciam uma enorme influência no meio dos operários de Petrogrado. No transcorrer do ano foram lentamente se desgastando na sua vã tentativa de amparar a esquálida burguesia russa, terminado por sucumbir junto com ela.

O leninismo: Podemos dizer que o Leninismo, como pensamento autônomo dentro do Marxismo, fundia-se inteiramente com o Bolchevismo. Pecaríamos pela verdade no entanto se não estabelecêssemos algumas distinções entre o Leninismo e o Bolchevismo, não esquecendo que, após a morte de Lenin, em 1924, o Bolchevismo continuou existindo, se fraccionando em várias tendências. As principais contribuições de Lenin para o plano teórico-prático do Socialismo e da Revolução seriam os seguintes: a) a tentativa de redefinir as perspectivas do desenvolvimento capitalista e/ou revolucionário na era do Imperialismo. Ao seu ver o Capitalismo encontrava-se extremamente consolidado nos países desenvolvidos fazendo com que parte da classe operária passasse a usufruir de uma melhoria substancial em seu modo de vida. Explicava-se a tendência reformista que o Socialismo havia assumido nestes países. No entanto, a dinâmica revolucionária deslocava-se para a periferia do Sistema. Nos países atrasados, onde o Capitalismo era pouco desenvolvido ocorreria a possibilidade de eclosão da Revolução "quebra a corrente capitalista em seu elo mais fraco". As teorias de Lenin foram consideradas verdadeiras heresias contra o pensamento de Marx e sua posição foi de quase total isolamento.

A Revolução Russa de Fevereiro (março pelo calendário atual) foi um enorme movimento de massas que espontaneamente rebelaram-se contra o czarismo. Nenhum partido as insulflou. Ao contrário, a grande maioria dos revolucionários militantes foi surpreendida - acrescente-se que a maioria deles estava presa na Sibéria (como Stalin) ou no exílio (Lenin na Suiça e Trotski nos Estados Unidos). Como também foi espontânea a organização de sovietes (conselhos) em todas as fábricas, repartições, bairros e regimentos militares, que passaram a formar um poder paralelo.

"(...)O marxismo-leninismo é também uma representação filosófica do mundo e do conhecimento do mesmo. São conceitos fundamentais do materialismo filosófico os de matéria e de movimento como modo de existência da matéria. Os de espaço e o tempo como forma de existência da matéria. O de consciência como propriedade da matéria altamente organizada, ou seja, a capacidade de pensar do homem como produto do desenvolvimento da matéria viva. A importância do trabalho e da linguagem no desenvolvimento do pensamento humano.

Por sua vez, a dialéctica materialista coloca em primeiro plano o encadeamento universal, as leis do movimento e o desenvolvimento do mundo objectivo, a forma como estas leis se reflectem na consciência do homem. Referimo-nos à conexão universal dos fenómenos e à relação causa e efeito. Às modificações quantitativas e qualitativas na natureza e na sociedade. À divisão em contrários como fonte principal do desenvolvimento. Ao desenvolvimento dialéctico do inferior para o superior. À dialéctica como método de conhecimento e transformação do mundo.

A dialéctica, disse Lenine, é a teoria marxista do conhecimento. Ela estuda a prática como fundamento e fim do conhecimento. O conhecimento como reflexo do mundo objectivo. A doutrina da verdade e a prática como critério da verdade. Os conceitos de necessidade e liberdade.(...)"

António Vilarigues (Público, 7/11/06)

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